O
Teatro do Marketing em Santa Catarina — A "Fabricação do Consenso"
entre o Estado Fantasia e a Realidade
Santa
Catarina vive hoje sob um regime de "realidade aumentada" pela
propaganda. O governador Jorginho Mello transformou a gestão pública em um
laboratório das estratégias de manipulação descritas por Noam Chomsky. O
objetivo é claro: fabricar um consenso de eficiência enquanto se apaga a
participação da União e se esconde o sucateamento estadual sob camadas de
verniz publicitário.
1. A Estratégia da Distração e as "Obras
Invisíveis"
Chomsky
ensina que o controle social exige desviar a atenção do público dos problemas
reais para temas insignificantes ou puramente ideológicos. Enquanto o ministro
dos Transportes, Renan Filho, enumera investimentos federais concretos — como o
Contorno Viário da Grande Florianópolis, a duplicação da BR-470 e
as obras na BR-280 —, o governador utiliza a "mídia boca de
aluguel" para criar uma cortina de fumaça.
Dizer
que "não há obras" não é apenas um erro; é a aplicação da técnica de
negação da realidade para manter a militância engajada em um sentimento de
abandono fictício. Enquanto isso, o cidadão que trafega por Rio Negrinho
ou pelas SCs do Meio-Oeste (Videira, Iomerê, Água Doce) sente na
suspensão do carro que o programa "Estrada Boa" é, na verdade, uma
peça de ficção que não chega ao asfalto.
2. Criar Problemas para Vender Soluções: O
Mito das Cirurgias
Outra
tática clássica de Chomsky é criar (ou inflar) um problema para depois oferecer
a solução "salvadora". A propaganda das "1 milhão de cirurgias"
é o exemplo perfeito. O governo estadual utiliza números inflados por pequenos
procedimentos para vender um milagre administrativo.
O que a
mídia comprada não questiona é: como isso é pago? A resposta é o SUS. Ao
omitir que esses procedimentos são financiados pelo Governo Federal (via Teto
MAC e programas de redução de filas de Lula), o governador
"privatiza" politicamente um sucesso que é fruto do pacto federativo.
É a manipulação da gratidão do eleitor através do apagamento da fonte do
recurso.
3. Gradualismo e Retrocesso: O Ataque às
Cotas e ao Campo
A
aceitação de medidas inaceitáveis é feita de forma gradual e justificada por
uma falsa tecnicidade. Assim, a gestão ataca as cotas raciais e veta a compra
de 30% da agricultura familiar, desmanchando políticas de inclusão sob o
silêncio complacente de setores da mídia que sobrevivem de verbas oficiais. É o
estado agindo contra os mais vulneráveis enquanto a propaganda foca em
discursos de "mérito" e "liberdade", conceitos vazios
quando aplicados a um cenário de profunda desigualdade.
4. A Infantilização do Debate:
"Camburão" e Separatismo
Chomsky
alerta para o uso de uma linguagem infantilizada para desarmar o senso crítico.
Ao falar em "receber o MST com camburão" ou flertar com o movimento
"O Sul é o Meu País", Jorginho Mello abandona o papel de estadista
para se tornar um agitador de massas.
Essa
retórica do ódio serve para manter o "rebanho perplexo" (termo de
Chomsky para a massa manipulada) focado em inimigos imaginários, impedindo que
a sociedade se pergunte por que o ProUni é ignorado em favor de um
programa estadual menos abrangente, ou por que o governo catarinense prefere o
isolamento diplomático à cooperação que traz verbas de Brasília.
5. O Apagamento do ProUni e a Invenção da Roda
Na educação, a estratégia é a mesma: o "Universidade Gratuita" é vendido como a salvação do jovem catarinense. No entanto, o governo estadual tenta apagar da memória coletiva que o ProUni, criado pelo governo Lula em 2004, já formou milhares de catarinenses em universidades comunitárias e privadas muito antes de Jorginho Mello sonhar com a cadeira de governador. O que se vê é uma tentativa de substituir um programa consolidado por um modelo que impõe contrapartidas burocráticas pesadas aos estudantes.
Concluindo: O Papel deste Blog contra a
"Mídia Boca de Aluguel"
Este
espaço surge como um contraponto à fábrica de consenso. Santa Catarina não é
uma ilha, por mais que o marketing queira cercá-la com muros ideológicos. As
obras federais citadas pelo ministro existem, o SUS é quem sustenta a saúde, e
a agricultura familiar merece respeito, não vetos.
Governar
exige mais que "marketagem"; exige honestidade intelectual. Está na
hora de rompermos a bolha da manipulação e exigirmos que os recursos públicos —
sejam eles estaduais ou federais — sejam aplicados onde o povo realmente vive:
nas estradas sem buracos, nas mesas com comida do pequeno produtor e nas
universidades verdadeiramente inclusivas.







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