quarta-feira, setembro 02, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... O Preço da Omissão.... (Parte XIV)

 Extremos Climáticos em SC e a Urgência do Voto Consciente

Santa Catarina viveu em 2026 uma verdadeira provação ambiental e econômica. Os relatos das nossas cidades e os números das nossas lavouras não deixam dúvidas: os fenômenos climáticos extremos deixaram de ser "projeções para o futuro" e passaram a ser uma realidade diária que devasta municípios, quebra safras e pressiona o orçamento das famílias e do Estado.

A grande questão que precisamos encarar no debate público é a contradição entre a realidade do clima e a postura legislativa do país. Enquanto as tempestades, secas e tornados cobram uma conta bilionária do povo catarinense, avança no Congresso Nacional uma agenda de flexibilização e retrocesso ambiental que agrava diretamente a vulnerabilidade do nosso território.


A Fúria do Clima em 2026: Do Tornado à Seca no Campo

A dinâmica climática do ano de 2026 em Santa Catarina, impulsionada pela intensificação do El Niño, foi marcada por uma alternância drástica de extremos. O ano começou com estiagens prolongadas que comprometeram o abastecimento humano e a produção agrícola familiar no Alto Vale do Itajaí. Em cidades como Ibirama, foram quase quatro meses sem chuvas significativas, exigindo decretos de emergência.

Na sequência, o estado enfrentou episódios severos de instabilidade:

Ø  Tornados e Tempestades Severas: A Defesa Civil confirmou a passagem de um tornado de grande porte no Oeste catarinense, somado a quedas catastróficas de granizo em municípios como Florianópolis e Biguaçu no final de agosto, onde pedras do tamanho de bolas de tênis destruíram milhares de residências e frotas.

Ø  Chuvas Volumosas e Ciclones: Volumes superiores a 100 mm em 24 horas provocaram sucessivos alagamentos no litoral e Vale do Itajaí, bloqueando rodovias, paralisando o comércio e elevando os custos do frete em todo o estado.


O Impacto na Serra Catarinense: Ameaça à Produção Rural

No Planalto Serrano, os extremos climáticos atingiram em cheio o coração da nossa agropecuária. O excesso de umidade e a frequência de tempestades desorganizaram o calendário das lavouras de inverno e a florada das frutas de verão:

Ø  Quebra nas Lavouras de Inverno: Segundo dados da Epagri, o encharcamento do solo e o surgimento de doenças fúngicas resultaram em uma estimativa de redução de 17% na produção de alho e de 9% na produtividade da cebola, cujos custos de produção no início do ano superaram o preço de venda no mercado.

Ø  Fruticultura em Risco: Em São Joaquim e região, as chuvas contínuas e o granizo no final de agosto impediram o trabalho de polinização das abelhas nas pomares de maçã, provocando o abortamento de flores e elevando os custos do manejo com defensivos para tentar salvar a safra.

Ø  Avarias na Infraestrutura Rural: Tempestades de gelo e enxurradas em Lages, Bom Retiro, Bocaina do Sul e Mafra danificaram estradas vicinais, dificultando o escoamento diário do leite e o transporte de hortifrúti.

Embora o frio histórico (com recordes como -9,2°C em Bom Jardim da Serra) tenha garantido lotação nas pousadas e impulsionado a economia do turismo hoteleiro, o saldo para quem vive do campo e da produção de alimentos foi de pesados prejuízos e incerteza.


A Conta Econômica e o "Pacote da Destruição"

Historicamente, Santa Catarina perde cerca de R$ 1 bilhão por ano com desastres climáticos. O excesso de chuva e o granizo geraram choques de oferta de alimentos, elevando os preços do milho, do trigo e das frutas para o consumidor final, pressionando a inflação e prejudicando a construção civil e a infraestrutura.

Diante desse cenário catastrófico, o Governo do Estado precisou decretar um Alerta Climático Preventivo de 180 dias para desburocratizar recursos e tentar conter danos ainda maiores.


Contudo, enquanto o estado tenta apagar incêndios e reconstruir estragos, o Congresso Nacional insiste em fragilizar as nossas defesas naturais.

Propostas conhecidas como o "Pacote da Destruição" em tramitação em Brasília ameaçam diretamente o que resta da nossa cobertura vegetal e da nossa segurança hídrica:

ü  PL 364/2019 (PL da Devastação): Libera a supressão de vegetação não florestal, como os nossos campos nativos da Serra Catarinense, abrindo brechas para a degradação da Mata Atlântica e de ecossistemas vulneráveis.

ü  PL 2159/2021: Afrouxa o licenciamento ambiental, transformando o processo em autodeclaratório para diversas atividades e descentralizando dispensas sem as devidas garantias técnicas.

ü  PL 1282/2019: Permite obras de irrigação com retirada de vegetação em Áreas de Preservação Permanente (APPs), comprometendo as margens de rios e as matas ciliares que são a nossa principal barreira natural contra enchentes e assoreamento.

Eliminar matas ciliares, destruir vegetações nativas e fragilizar o licenciamento é o mesmo que retirar os para-choques do Estado diante de um clima cada vez mais agressivo. A ciência e a prática de campo comprovam: a preservação da biodiversidade, o fortalecimento dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) e o respeito aos limites da natureza são a única engenharia verdadeiramente eficaz e de baixo custo para mitigar desastres.


O Futuro se Decide no Voto

Não podemos continuar tratando a emergência climática como uma fatalidade inevitável, enquanto as leis do país continuam incentivando a vulnerabilidade dos nossos biomas. O custo das escolhas políticas erradas não fica retido nos gabinetes; ele chega em forma de telhados destruídos pelo granizo, estradas rurais lavadas pelas enxurradas, preço alto na prateleira do supermercado e frustração no campo.

Compreender a relação direta entre as leis votadas em Brasília e o clima que destrói a nossa infraestrutura e a nossa agricultura é um dever cidadão.

Para proteger o Planalto Serrano, as nossas encostas, as nossas cidades e, acima de tudo, o futuro das próximas gerações, precisamos de representantes públicos que compreendam a gravidade da transição ecológica. Votar em candidatos verdadeiramente comprometidos com a preservação ambiental, com a transição justa e com a proteção da sociobiodiversidade não é mais uma opção ideológica — é uma questão de sobrevivência econômica e social para Santa Catarina.

 

A Lista da Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?

O elenco dos nomes daqueles deputados catarinenses que votaram a favor do PL 2.564/2025; é o mesmo que votou a favor da flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil, que foi consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Federal 15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021. A legislação unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de 2026.

São representantes que, em vez de buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o caminho para quem destrói o nosso bioma:

 Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão

MDB

Cobalchini, Luiz Fernando Vampiro, Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet


 


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