Extremos Climáticos em SC e a Urgência do Voto Consciente
Santa Catarina viveu em 2026 uma verdadeira
provação ambiental e econômica. Os relatos das nossas cidades e os números das
nossas lavouras não deixam dúvidas: os fenômenos climáticos extremos deixaram
de ser "projeções para o futuro" e passaram a ser uma realidade
diária que devasta municípios, quebra safras e pressiona o orçamento das
famílias e do Estado.
A grande questão que precisamos encarar no debate
público é a contradição entre a realidade do clima e a postura legislativa do
país. Enquanto as tempestades, secas e tornados cobram uma conta bilionária do
povo catarinense, avança no Congresso Nacional uma agenda de flexibilização e
retrocesso ambiental que agrava diretamente a vulnerabilidade do nosso
território.
A Fúria do Clima em 2026: Do
Tornado à Seca no Campo
A dinâmica climática do ano de 2026 em Santa
Catarina, impulsionada pela intensificação do El Niño, foi marcada por uma
alternância drástica de extremos. O ano começou com estiagens prolongadas que
comprometeram o abastecimento humano e a produção agrícola familiar no Alto
Vale do Itajaí. Em cidades como Ibirama, foram quase quatro meses sem chuvas
significativas, exigindo decretos de emergência.
Na sequência, o estado enfrentou episódios severos
de instabilidade:
Ø
Tornados e Tempestades Severas: A Defesa Civil confirmou a passagem de um tornado
de grande porte no Oeste catarinense, somado a quedas catastróficas de granizo
em municípios como Florianópolis e Biguaçu no final de agosto, onde pedras do
tamanho de bolas de tênis destruíram milhares de residências e frotas.
Ø
Chuvas Volumosas e Ciclones: Volumes superiores a 100 mm em 24 horas provocaram
sucessivos alagamentos no litoral e Vale do Itajaí, bloqueando rodovias,
paralisando o comércio e elevando os custos do frete em todo o estado.
O Impacto na Serra Catarinense:
Ameaça à Produção Rural
No Planalto Serrano, os extremos climáticos
atingiram em cheio o coração da nossa agropecuária. O excesso de umidade e a
frequência de tempestades desorganizaram o calendário das lavouras de inverno e
a florada das frutas de verão:
Ø
Quebra nas Lavouras de Inverno: Segundo dados da Epagri, o encharcamento do solo e
o surgimento de doenças fúngicas resultaram em uma estimativa de redução de 17%
na produção de alho e de 9% na produtividade da cebola, cujos custos de
produção no início do ano superaram o preço de venda no mercado.
Ø
Fruticultura em Risco: Em São Joaquim e região, as chuvas contínuas e o
granizo no final de agosto impediram o trabalho de polinização das abelhas nas
pomares de maçã, provocando o abortamento de flores e elevando os custos do
manejo com defensivos para tentar salvar a safra.
Ø
Avarias na Infraestrutura Rural: Tempestades de gelo e enxurradas em Lages, Bom
Retiro, Bocaina do Sul e Mafra danificaram estradas vicinais, dificultando o
escoamento diário do leite e o transporte de hortifrúti.
Embora o frio histórico (com recordes como -9,2°C
em Bom Jardim da Serra) tenha garantido lotação nas pousadas e impulsionado a
economia do turismo hoteleiro, o saldo para quem vive do campo e da produção de
alimentos foi de pesados prejuízos e incerteza.
A Conta Econômica e o
"Pacote da Destruição"
Historicamente, Santa Catarina perde cerca de R$ 1
bilhão por ano com desastres climáticos. O excesso de chuva e o granizo geraram
choques de oferta de alimentos, elevando os preços do milho, do trigo e das
frutas para o consumidor final, pressionando a inflação e prejudicando a
construção civil e a infraestrutura.
Diante desse cenário catastrófico, o Governo do
Estado precisou decretar um Alerta Climático Preventivo de 180 dias para
desburocratizar recursos e tentar conter danos ainda maiores.
Contudo, enquanto o estado tenta
apagar incêndios e reconstruir estragos, o Congresso Nacional insiste em
fragilizar as nossas defesas naturais.
Propostas conhecidas como o "Pacote da
Destruição" em tramitação em Brasília ameaçam diretamente o que resta
da nossa cobertura vegetal e da nossa segurança hídrica:
ü
PL 364/2019 (PL da Devastação): Libera a supressão de vegetação não florestal,
como os nossos campos nativos da Serra Catarinense, abrindo brechas para a
degradação da Mata Atlântica e de ecossistemas vulneráveis.
ü
PL 2159/2021: Afrouxa
o licenciamento ambiental, transformando o processo em autodeclaratório para
diversas atividades e descentralizando dispensas sem as devidas garantias
técnicas.
ü
PL 1282/2019: Permite
obras de irrigação com retirada de vegetação em Áreas de Preservação Permanente
(APPs), comprometendo as margens de rios e as matas ciliares que são a nossa
principal barreira natural contra enchentes e assoreamento.
Eliminar matas ciliares, destruir vegetações
nativas e fragilizar o licenciamento é o mesmo que retirar os para-choques do
Estado diante de um clima cada vez mais agressivo. A ciência e a prática de
campo comprovam: a preservação da biodiversidade, o fortalecimento dos Sistemas
Agroflorestais (SAFs) e o respeito aos limites da natureza são a única
engenharia verdadeiramente eficaz e de baixo custo para mitigar desastres.
O Futuro se Decide no Voto
Não podemos continuar tratando a emergência
climática como uma fatalidade inevitável, enquanto as leis do país continuam
incentivando a vulnerabilidade dos nossos biomas. O custo das escolhas
políticas erradas não fica retido nos gabinetes; ele chega em forma de telhados
destruídos pelo granizo, estradas rurais lavadas pelas enxurradas, preço alto
na prateleira do supermercado e frustração no campo.
Compreender a relação direta entre as leis votadas
em Brasília e o clima que destrói a nossa infraestrutura e a nossa agricultura
é um dever cidadão.
Para proteger o Planalto Serrano, as nossas
encostas, as nossas cidades e, acima de tudo, o futuro das próximas gerações,
precisamos de representantes públicos que compreendam a gravidade da transição
ecológica. Votar em candidatos verdadeiramente comprometidos com a preservação
ambiental, com a transição justa e com a proteção da sociobiodiversidade não é
mais uma opção ideológica — é uma questão de sobrevivência econômica e social
para Santa Catarina.
A Lista da
Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?
O elenco dos nomes daqueles deputados
catarinenses que votaram a favor do PL 2.564/2025; é o mesmo que votou a
favor da flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil, que
foi consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Federal
15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021. A legislação
unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de 2026.
São representantes que, em vez de
buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o
caminho para quem destrói o nosso bioma:
|
Partido |
Deputado(a) |
|
PL |
Caroline de Toni, Daniel
Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão |
|
MDB |
Cobalchini, Luiz Fernando
Vampiro, Pezenti |
|
NOVO |
Gilson Marques |
|
PP |
Coronel Armando |
|
PSDB |
Geovania de Sá |
|
União |
Fabio Schiochet |








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