A Memória Curta do Elitismo e o Resgate da Democracia
O debate político nacional frequentemente nos
devolve a cenários que a história já deveria ter superado. Ao observarmos a
postura pública de certas lideranças da extrema-direita e do conservadorismo
fisiológico, salta aos olhos a manutenção de um padrão de conduta fundado na
arrogância, no elitismo e no desrespeito às instituições republicanas.
Ronaldo Caiado, cuja trajetória política
confunde-se com a própria defesa dos interesses latifundiários mais
reacionários do país, reaparece no cenário com declarações que atacam programas
sociais e tentam reescrever o papel do Estado na proteção dos mais vulneráveis.
É impossível analisar a postura atual de Caiado sem resgatar o histórico da
União Democrática Ruralista (UDR) nos anos 1980 — entidade liderada por ele que
atuou ostensivamente para blindar propriedades improdutivas e barrar a reforma
agrária na Assembleia Nacional Constituinte. O período em que a UDR atingiu seu
apogeu coincidiu com picos históricos de violência e pistolagem no campo,
marcando a transição democrática brasileira com o sangue de lideranças
camponesas e comunitárias.
A truculência do discurso de outrora hoje se veste
de verniz institucional, mas mantém intacta a sua essência: o desprezo pelas
pautas distributivas e pela justiça social. As agressões verbais e os ataques
direcionados a projetos de inclusão social e a figuras do governo atual revelam
a permanência de uma mentalidade oligárquica que recusa a democratização do
país.
Paralelamente, assistimos a episódios de destempero
e agressão verbal promovidos por políticos que reagem com desdém ao avanço das
pautas de direitos humanos e de equidade de gênero. A exemplo de Renan Santos
(Missão). A facilidade com que ofensas ad hominem e ataques misóginos são
proferidos no debate público evidencia a urgência em avançar no enquadramento
legal de condutas que agridem a dignidade das mulheres. O debate sobre a
criminalização e rigor na punição de atos misóginos — hoje amparado por
projetos em tramitação no Congresso e por canais de denúncia como o Ligue 180 —
não é uma questão secundária, mas um pilar central para a construção de uma
esfera pública civilizada.
O Brasil moderno não pode ser refém da arrogância
oligárquica nem da violência política que insiste em se manifestar no plenário
e nos palanques. Para que o país avance, é preciso enfrentar o conservadorismo
tacanho com memória histórica, rigor da lei e o compromisso inegociável com a
democracia.








Nenhum comentário:
Postar um comentário