quarta-feira, agosto 26, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... A Suprema Soberba e Arrogância Oligárquica de Ronaldo Caiado... (Parte XII)

 A Memória Curta do Elitismo e o Resgate da Democracia

O debate político nacional frequentemente nos devolve a cenários que a história já deveria ter superado. Ao observarmos a postura pública de certas lideranças da extrema-direita e do conservadorismo fisiológico, salta aos olhos a manutenção de um padrão de conduta fundado na arrogância, no elitismo e no desrespeito às instituições republicanas.

Ronaldo Caiado, cuja trajetória política confunde-se com a própria defesa dos interesses latifundiários mais reacionários do país, reaparece no cenário com declarações que atacam programas sociais e tentam reescrever o papel do Estado na proteção dos mais vulneráveis. É impossível analisar a postura atual de Caiado sem resgatar o histórico da União Democrática Ruralista (UDR) nos anos 1980 — entidade liderada por ele que atuou ostensivamente para blindar propriedades improdutivas e barrar a reforma agrária na Assembleia Nacional Constituinte. O período em que a UDR atingiu seu apogeu coincidiu com picos históricos de violência e pistolagem no campo, marcando a transição democrática brasileira com o sangue de lideranças camponesas e comunitárias.

A truculência do discurso de outrora hoje se veste de verniz institucional, mas mantém intacta a sua essência: o desprezo pelas pautas distributivas e pela justiça social. As agressões verbais e os ataques direcionados a projetos de inclusão social e a figuras do governo atual revelam a permanência de uma mentalidade oligárquica que recusa a democratização do país.

Paralelamente, assistimos a episódios de destempero e agressão verbal promovidos por políticos que reagem com desdém ao avanço das pautas de direitos humanos e de equidade de gênero. A exemplo de Renan Santos (Missão). A facilidade com que ofensas ad hominem e ataques misóginos são proferidos no debate público evidencia a urgência em avançar no enquadramento legal de condutas que agridem a dignidade das mulheres. O debate sobre a criminalização e rigor na punição de atos misóginos — hoje amparado por projetos em tramitação no Congresso e por canais de denúncia como o Ligue 180 — não é uma questão secundária, mas um pilar central para a construção de uma esfera pública civilizada.

O Brasil moderno não pode ser refém da arrogância oligárquica nem da violência política que insiste em se manifestar no plenário e nos palanques. Para que o país avance, é preciso enfrentar o conservadorismo tacanho com memória histórica, rigor da lei e o compromisso inegociável com a democracia.



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