segunda-feira, maio 18, 2026

VERGONHA.... VERGONHA.... VERGONHA... (Parte IV)

 

A Hipocrisia de Bilheteria: O Cinema Ideológico Financiado pelo Seu Imposto

Durante anos, o país foi bombardeado por um discurso feroz contra os mecanismos públicos de fomento à cultura. O lema repetido à exaustão por setores da direita era claro: "O cinema deve se sustentar pelo mercado, sem sugar o dinheiro do trabalhador". Mas, como diz o ditado, o discurso na tribuna raramente sobrevive aos bastidores do poder.

O escândalo em torno do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, revela uma contradição moral explícita: o grupo que demoniza o incentivo público à cultura é o mesmo que está sendo investigado por irrigar uma rede de ONGs com milhões de reais em emendas parlamentares para financiar sua própria propaganda.


1. O Balcão de Emendas para o Filme do "Mito"

O Supremo Tribunal Federal (STF) investiga o repasse de cerca de R$ 7,7 milhões em verbas públicas para entidades e ONGs ligadas à produtora do filme. Deputados federais e vereadores da bancada bolsonarista utilizaram o sagrado dinheiro das emendas parlamentares — recursos que deveriam ir para a saúde, educação ou segurança dos municípios — para blindar e viabilizar um produto de cunho puramente promocional.

O ex-secretário de Cultura e atual deputado Mario Frias (PL-SP) aparece no centro do roteiro investigativo, acumulando funções na produção do longa, enquanto a Polícia Federal tenta rastrear se esse labirinto de dinheiro público chegou a financiar despesas no exterior.


2. O Recuo de Eduardo Bolsonaro e os R$ 350 mil em Dinheiro Vivo

A gravidade da situação forçou o deputado Eduardo Bolsonaro a mudar sua versão oficial. Depois de negar qualquer gerência, ele veio a público admitir que atua formalmente como produtor-executivo, cuidando da gestão financeira e burocrática do projeto.

Eduardo alegou que angariou R$ 350 mil (cerca de US$ 50 mil) através de um curso de política e enviou os dólares para os Estados Unidos para pagar o diretor. Independentemente das justificativas, a admissão de que o clã opera a engrenagem financeira de uma produção cercada por emendas parlamentares suspeitas destrói a narrativa de moralidade e isenção que eles tanto vendem.


3. Discurso para a Militância, Prática no Orçamento

Para o seu público nas redes sociais, eles pregam a cartilha do livre mercado e o fim do Estado babá. Mas na vida real:

  • Criticam a Lei Rouanet, mas operam o "mecanismo das emendas" em benefício próprio.
  • Atacam as ONGs, mas utilizam uma rede dessas mesmas organizações para triangular recursos do orçamento público.
  • Dizem defender o cidadão, mas desviam o foco de verbas parlamentares para autofinanciar um culto à personalidade de seu líder.


Concluindo: A Moralidade Seletiva

O caso do filme "Dark Horse" prova que a indignação desse grupo com o dinheiro público nunca foi uma questão de princípio, mas de controle de narrativa. Para eles, o dinheiro dos impostos só é um problema quando financia o pensamento do adversário; quando serve para inflar o próprio ego e a própria máquina política, o cofre do Estado vira um poço sem fundo.

O cidadão honesto, que trabalha duro e vê os impostos sumirem em esquemas de maquiagem ideológica, não pode aceitar esse deboche. O cinema deles não é bancado pelo mercado. É bancado por você, leitor, que paga a conta enquanto eles fingem combater o sistema.



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