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"Taxa das Blusinhas" e o Teatro das Sombras: Como a Mídia Fabrica o
Desgaste
Nos
últimos dois anos, assistimos a um espetáculo de manipulação narrativa em torno
da chamada "taxa das blusinhas". O episódio é um exemplo de manual de
como a mídia corporativa atua como o "maestro" de que falava
Hildegard Angel, regendo as emoções da sociedade para desviar a atenção das
engrenagens reais do poder.
1. A Armadilha da Narrativa: O Consumidor
como Escudo
Desde
2024, a mídia boca alugada esmerou-se em pintar o imposto de 20% como um ataque
direto às classes C, D e E. Editoriais de grandes jornais, como o Estadão,
rapidamente classificaram a medida como um "equívoco protecionista".
Mas
qual era o objetivo real? Não era proteger o bolso do povo, mas sim usar a
indignação legítima do consumidor de baixa renda como combustível para erodir a
popularidade do Governo Federal. Enquanto a mídia chorava pelas
"blusinhas", ela silenciava sobre a pressão ferrenha de entidades
como a CNI e a Abit, que foram as verdadeiras arquitetas do lobby pela taxação
para proteger suas margens de lucro sob o pretexto de "concorrência
leal".
2. A Engenharia da Submissão em Ação
Aqui
vemos a Engenharia da Submissão
de Chomsky funcionando plenamente:
ü Naturalização
do Conflito: A mídia
naturalizou a ideia de que o governo é um ente voraz e isolado, omitindo que a
taxação foi fruto de um acordo político complexo dentro de um Congresso
Nacional amplamente conservador e ligado ao grande varejo nacional.
ü Desvio
de Preocupação: Em
vez de discutirmos uma reforma tributária progressiva (que taxe os super-ricos
e desonere o consumo), a mídia nos manteve ocupados com o "medo" de
perder o acesso a produtos baratos da Ásia.
3. A Revogação e a Nova Face do Ataque
O
ápice da hipocrisia mediática manifestou-se agora, em maio de 2026. Após o governo assinar a Medida
Provisória zerando o imposto para tentar aliviar a pressão sobre os mais
pobres, a mesma mídia que criticava a taxa mudou o tom. Agora, a narrativa é de
"manobra eleitoreira".
Ou
seja: se taxa, é "carrasco do povo"; se revoga, é "oportunista
eleitoral". É o que Chomsky define como a Fábrica de Consenso: não importa a ação, o
enquadramento (framing) é desenhado para que o resultado final seja sempre a
desestruturação da imagem de quem busca governar para a maioria.
4. O Silêncio sobre o ICMS e o Varejo
Nacional
É
curioso notar que, enquanto o Governo Federal zera sua parte para reduzir o
custo, a mídia minimiza o fato de que o ICMS estadual continua sendo cobrado.
Ao mesmo tempo, dá voz imediata ao descontentamento da indústria nacional,
tratando o fim da taxa como uma "ameaça aos empregos".
Concluindo: O Desafio de Olhar Além do
"Feed"
O
episódio das blusinhas prova que a mídia corporativa não busca informar, mas
sim gerir o humor social. Ela flutua entre o protecionismo e o liberalismo
conforme a conveniência do desgaste político do momento.
Como
cidadãos, e especialmente aqui no blog onde buscamos entender a economia real e
solidária, precisamos nos perguntar: a quem serve essa indignação coordenada?
No fim das contas, a "taxa" mais cara que pagamos é a da submissão a
uma informação que já vem processada pela fábrica do consenso.








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