quarta-feira, maio 13, 2026

É a Mídia Boca Alugada em Ação.... (Parte II)

 

A "Taxa das Blusinhas" e o Teatro das Sombras: Como a Mídia Fabrica o Desgaste

Nos últimos dois anos, assistimos a um espetáculo de manipulação narrativa em torno da chamada "taxa das blusinhas". O episódio é um exemplo de manual de como a mídia corporativa atua como o "maestro" de que falava Hildegard Angel, regendo as emoções da sociedade para desviar a atenção das engrenagens reais do poder.


1. A Armadilha da Narrativa: O Consumidor como Escudo

Desde 2024, a mídia boca alugada esmerou-se em pintar o imposto de 20% como um ataque direto às classes C, D e E. Editoriais de grandes jornais, como o Estadão, rapidamente classificaram a medida como um "equívoco protecionista".

Mas qual era o objetivo real? Não era proteger o bolso do povo, mas sim usar a indignação legítima do consumidor de baixa renda como combustível para erodir a popularidade do Governo Federal. Enquanto a mídia chorava pelas "blusinhas", ela silenciava sobre a pressão ferrenha de entidades como a CNI e a Abit, que foram as verdadeiras arquitetas do lobby pela taxação para proteger suas margens de lucro sob o pretexto de "concorrência leal".


2. A Engenharia da Submissão em Ação

Aqui vemos a Engenharia da Submissão de Chomsky funcionando plenamente:

ü  Naturalização do Conflito: A mídia naturalizou a ideia de que o governo é um ente voraz e isolado, omitindo que a taxação foi fruto de um acordo político complexo dentro de um Congresso Nacional amplamente conservador e ligado ao grande varejo nacional.

ü  Desvio de Preocupação: Em vez de discutirmos uma reforma tributária progressiva (que taxe os super-ricos e desonere o consumo), a mídia nos manteve ocupados com o "medo" de perder o acesso a produtos baratos da Ásia.


3. A Revogação e a Nova Face do Ataque

O ápice da hipocrisia mediática manifestou-se agora, em maio de 2026. Após o governo assinar a Medida Provisória zerando o imposto para tentar aliviar a pressão sobre os mais pobres, a mesma mídia que criticava a taxa mudou o tom. Agora, a narrativa é de "manobra eleitoreira".

Ou seja: se taxa, é "carrasco do povo"; se revoga, é "oportunista eleitoral". É o que Chomsky define como a Fábrica de Consenso: não importa a ação, o enquadramento (framing) é desenhado para que o resultado final seja sempre a desestruturação da imagem de quem busca governar para a maioria.


4. O Silêncio sobre o ICMS e o Varejo Nacional

É curioso notar que, enquanto o Governo Federal zera sua parte para reduzir o custo, a mídia minimiza o fato de que o ICMS estadual continua sendo cobrado. Ao mesmo tempo, dá voz imediata ao descontentamento da indústria nacional, tratando o fim da taxa como uma "ameaça aos empregos".


Concluindo: O Desafio de Olhar Além do "Feed"

O episódio das blusinhas prova que a mídia corporativa não busca informar, mas sim gerir o humor social. Ela flutua entre o protecionismo e o liberalismo conforme a conveniência do desgaste político do momento.

Como cidadãos, e especialmente aqui no blog onde buscamos entender a economia real e solidária, precisamos nos perguntar: a quem serve essa indignação coordenada? No fim das contas, a "taxa" mais cara que pagamos é a da submissão a uma informação que já vem processada pela fábrica do consenso.




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