O Preço do Silêncio e a Conta da
Alfabetização: Onde Estão os R$ 15 Milhões de SC?
O
Brasil recebeu recentemente os dados do Compromisso Nacional Criança
Alfabetizada. A notícia é amarga para o Sul: Santa Catarina está entre os poucos estados que não
atingiram a meta de alfabetização. Enquanto estados vizinhos avançam, nossa
educação básica parece patinar. No entanto, ao olharmos para os cofres
públicos, percebemos que o problema não é a falta de dinheiro, mas a prioridade da caneta.
1. O Desvio de Finalidade: Suplementação para
o Invisível
Recentemente,
o Governo do Estado operou um remanejamento de R$ 15 milhões que originalmente deveriam custear a
Educação Básica. Através de decretos de suplementação, esses recursos foram
retirados de uma área vital e transferidos para a comunicação institucional.
Na
administração pública, o Desvio de
Finalidade ocorre quando o administrador utiliza o poder discricionário
para atingir fim diverso daquele previsto na lei ou no interesse público.
Retirar verbas de salas de aula para "vender" uma imagem de governo
é, no mínimo, uma escolha ética questionável; no máximo, um ferimento ao
princípio da eficiência.
2. O "Muro" da Transparência:
Neovox e One One
A
situação ganha contornos de gravidade com a falta de clareza nos repasses. A
intermediação de agências de publicidade (como Neovox e One One) cria uma camada de opacidade que dificulta
o controle social.
Hoje,
o cidadão da Serra Catarinense não consegue saber com precisão quanto cada
veículo de comunicação local recebeu desses R$ 15 milhões. Essa triangulação
impede o rastreio direto e fere a Lei de Acesso à Informação (LAI). Sem saber quanto
se gasta e onde se gasta, não há fiscalização — e onde não há fiscalização, o
interesse privado costuma atropelar o público.
3. A Conta que Não Fecha: Alfabetização em
Queda
A
conexão entre esses fatos é direta e cruel:
ü De um lado, temos R$ 15 milhões saindo da
Educação Básica para propaganda opaca.
ü Do outro, temos o dado oficial de que SC não atingiu a meta de
alfabetização.
É
impossível alfabetizar crianças sem investimento em formação de professores,
infraestrutura e material pedagógico. Quando o governo escolhe priorizar a
agência de publicidade em detrimento da sala de aula, ele está escolhendo o
"parecer" em vez do "ser". O resultado é o que vemos nos
jornais: crianças que terminam o ciclo básico sem o domínio pleno da leitura e
escrita.
Concluindo: Ética e Responsabilidade
Um
governo que se diz eficiente não pode se esconder atrás de decretos de
suplementação para desfalcar a educação. A publicidade governamental deve ser
informativa e transparente, nunca um dreno de recursos da educação básica
intermediado por contratos de difícil rastreio.
Santa
Catarina precisa decidir se quer ser o estado das "propagandas bem
produzidas" ou o estado das "crianças alfabetizadas". Por
enquanto, a conta está sendo paga por quem não tem voz: os estudantes que terão
seu futuro comprometido pela falta de prioridade de hoje.







Nenhum comentário:
Postar um comentário