sexta-feira, agosto 28, 2026

Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros... A Mercantilização do Luto e o Silêncio Conivente... (Parte XXV)

 O que a Operação Thánatos Revela Sobre Lages

Existe um limite moral que toda sociedade civilizada espera ver preservado. Quando a corrupção atinge obras, contratos de infraestrutura ou verbas de gabinete, a indignação pública é imediata. Mas o que dizer quando a ganância decide lucrar com o exato instante em que uma família chora a perda de um ente querido?

A deflagração da Operação Thánatos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) expôs uma das páginas mais sombrias e repugnantes da gestão pública recente na Serra Catarinense, atingindo em cheio a cidade de Lages.


O Negócio da Morte e a Violação do Sagrado

As investigações da 5ª Promotoria de Justiça de Lages revelaram um esquema vil: servidores públicos da saúde — aqueles que deveriam zelar pelo amparo e pela vida — vendendo informações sigilosas sobre óbitos em tempo real para uma empresa funerária. Registros do SAMU, do Hospital Tereza Ramos, da UPA e de mortes domiciliares transformaram-se em mercadoria.

O objetivo? Burlar o sistema legal de plantão funerário municipal. Munida de dados privilegiados obtidos mediante pagamento de propina, a empresa abordava as famílias enlutadas antes de qualquer concorrente. Trata-se do ápice do parasitismo urbano: assediar pessoas no momento de maior fragilidade emocional para garantir reserva de mercado e lucro certo.

O nome da operação, Thánatos — a personificação da morte na mitologia grega —, carrega um simbolismo trágico. Não se trata apenas de estancar um crime contra a administração pública; trata-se de interromper uma profanação sistemática do luto alheio.


A Mídia das Omissoes e os "Nomes Invisíveis"

Se a gravidade do crime estarrece, o comportamento de boa parte da imprensa tradicional e da "mídia boca de aluguel e corneteira" em nossa região causa igual repulsa.

Assistimos, mais uma vez, a uma cobertura seletiva e acovardada. Noticiam-se os mandados de busca e apreensão, mencionam-se os valores em espécie apreendidos e o afastamento cautelar de servidores. Contudo, quando se trata de dar nome e sobrenome aos empresários que pagavam a propina e aos agentes públicos que vendiam a dor dos lageanos, a caneta da imprensa local subitamente perde a tinta.

Por que o silêncio? A quem interessa proteger a identidade de quem mercantilizou a morte na nossa cidade?

A função social do jornalismo não é emitir notas burocráticas ou blindar figuras influentes sob o manto de uma falsa neutralidade. Quando a mídia se recusa a nomear os envolvidos em esquemas investigados pelo GAECO, ela deixa de ser informadora para se tornar cúmplice por omissão. O cidadão comum, ao cometer um pequeno delito, tem sua foto e nome estampados sem pudor. Já os operadores de esquemas estruturados de corrupção ganham o privilégio do anônimo e do esquecimento programado.


A Restauração da Dignidade Pública

A ação do GAECO e a atuação firme do MPSC cumprem o seu papel institucional e merecem todo o reconhecimento. O afastamento dos servidores e o recolhimento das provas são passos essenciais para que a justiça se faça.

No entanto, a verdadeira depuração da nossa sociedade exige mais do que decisões judiciais: exige postura ética e indignação coletiva. Lages não pode se acostumar com a pequenez de esquemas que transformam corredores de hospitais em balcões de negócios funerários.

Não aceitaremos o esquecimento. Não aceitaremos o silêncio comprado ou a covardia editorial daqueles que deveriam informar. Exigimos transparência total, a identificação clara de todos os investigados e a punição exemplar de cada um dos envolvidos. A memória daqueles que partiram e o respeito às famílias de Lages exigem nada menos do que isso.



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