Entre o Aço do Futuro e o Muro
do Passado: A Fragata Tamandaré e o Paradoxo Catarinense
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/04/24/fragata-tamandare-e-incorporada-a-marinha-no-rio-veja-o-raio-x-do-novo-navio-de-guerra-do-brasil.ghtml
No estaleiro de Itajaí, o aço ganha forma e tecnologia para se
tornar o guardião da nossa Amazônia Azul. A Fragata Tamandaré não é apenas um
navio; é a materialização do potencial industrial de Santa Catarina e da
estratégia nacional de defesa. No entanto, enquanto a proa da embarcação mira o
horizonte do "Mar Aberto" — o projeto de ampliação e patrulha das
nossas águas territoriais — a política local catarinense parece estar navegando
em círculos, presa em um ancoradouro de isolamento e negação.
O Progresso que se tenta esconder
A Fragata Tamandaré é, indiscutivelmente, um triunfo da engenharia nacional. Inserida no contexto do Programa "Mar Aberto" (focado na ampliação do monitoramento e proteção da soberania marítima), ela representa bilhões em investimentos que irrigam a economia local, capacitam nossa mão de obra e colocam o Brasil em um novo patamar de defesa. É um projeto de Estado,de longo prazo, que ignora ciclos políticos.
A Política do "Dedo no Olho"
É um espetáculo de incoerência institucional: de um lado, a Câmara de Vereadores de Itajaí se ocupa em rotular como persona non grata os mesmos representantes federais cujas canetas viabilizam o maior projeto tecnológico da história da cidade. Do outro, o Governo do Estado mantém uma 'amnésia seletiva', colhendo os louros da industrialização naval enquanto apaga deliberadamente a digital do Governo Federal de cada entrega.
É
a "Ética do
Oportunismo": colhe-se o fruto do investimento, mas negocia-se com a
política do isolamento para manter a base eleitoral inflamada.
O Custo dessa polarização
Como analista econômico e observador das políticas públicas, pergunto: a que preço mantemos esse muro? Negar o papel do Governo Federal na construção de um projeto desta magnitude não é apenas uma imprecisão técnica; é uma falha ética grave. A administração pública, em sua essência, deveria tratar o desenvolvimento como uma política de Estado, onde as parcerias são ferramentas e não troféus políticos.
Concluindo
Estamos construindo navios
capazes de detectar ameaças invisíveis a centenas de quilômetros debaixo
d'água, mas não conseguimos enxergar, a poucos metros de distância, que o
desenvolvimento de Santa Catarina depende da articulação entre o porto de
Itajaí, o estado e o governo central. O navio é de guerra, mas a política
catarinense insiste em travá-lo em águas rasas, onde o progresso encalha por
pura teimosia ideológica.








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