quinta-feira, novembro 05, 2026

Á Vanguarda do Atraso: (Parte I)

 Por que o Empresariado LAGEANO (Especialmente as " alegres vítimas" da taxação da  exportação da madeira que os bozoloides imploraram para que Trump empurrasse goela abaixo do Brasil) Precisa Ouvir o Alerta de André Lara Rezende

https://youtu.be/o7hirW995lE?si=j3-I9TlQZiVE3dhA

Existe um mito sagrado na liturgia do empresariado tradicional brasileiro — e catarinense e lageano — de que a prosperidade econômica depende unicamente de um Estado encolhido, de cortes cegos de gastos e de juros estratosféricos para "acalmar o mercado". No entanto, quando um dos maiores pensadores liberais do país decide romper o silêncio, é hora de parar o piloto automático ideológico e encarar os fatos.

No recente debate que mobiliza os bastidores da economia nacional, André Lara Rezende — doutor pelo MIT, ex-diretor do Banco Central, ex-presidente do BNDES e coautor do Plano Real — publicou um artigo direto e corajoso intitulado "Eu acuso". A tese central é desconfortável para a ortodoxia: o Banco Central, ao manter juros absurdamente altos sob o pretexto de combater a inflação, tornou-se o principal motor do desequilíbrio fiscal do país.

É exatamente essa discussão que a vanguarda do atraso liberal, tão enraizada no pensamento corporativo e político local, insiste em ignorar.

1. O Mito do Risco Fiscal vs. A Realidade do Tributo aos Rentistas

A ladainha de que o Brasil está quebrado devido ao gasto público ignora uma conta elementar que o próprio Banco Central escancara: os juros pagos pela dívida pública consumiram cerca de R$ 1,2 trilhão em apenas 12 meses. Esse valor monumental representa mais de 17 vezes o déficit primário.

Enquanto o empresariado aplaude o arrocho sob o falso argumento de "responsabilidade fiscal", o Estado sangra o orçamento público para remunerar detentores de títulos da dívida — os rentistas. Como aponta Lara Rezende, em um país com a dívida atrelada a taxas pós-fixadas (Selic), subir os juros para conter a inflação não reduz a dívida; pelo contrário, a infla e a expande vorazmente.

2. O Suicídio Produtivo: Juro Alto Não é Negócio, é Renda Sem Esforço

Para o empresário que acorda cedo, gera empregos, inova na indústria, na agricultura familiar ou no comércio, a taxa Selic em dois dígitos deveria ser motivo de revolta, e não de alinhamento cego.

Qualquer análise básica de investimento mostra a perversidade desse modelo: qual empresário vai arriscar capital, assumir riscos trabalhistas, burocráticos e logísticos para montar uma fábrica se os títulos públicos pagam mais de 10% ao ano sem que ele precise sair da cadeira?

O capital produtivo é asfixiado pela ciranda financeira. É por isso que o Brasil patina em sua capacidade de reindustrialização, encolhendo sua complexidade econômica enquanto o dinheiro migra da economia real para a especulação de papel. Continuamos presos no papel de exportadores de commodities e dependentes de uma cartilha que o centro do capitalismo jamais seguiu para se desenvolver.

3. O Terrorismo Eleitoral e Econômico

Repete-se ciclicamente o roteiro do pânico: a cada resultado político que foge ao script das elites financeiras, decreta-se o apocalipse econômico. Vimos isso em 2022 e assistimos aos mesmos alarmismos vazios em 2026. O foco do establishment não é a estabilidade real, mas a imposição de uma agenda que desindexe direitos, comprima salários e garanta lucros fáceis na bolsa e nos juros.

Quando o mercado aposta na penúria social em troca de rentabilidade financeira, o empresariado local precisa decidir de que lado da história está: do lado de quem produz, trabalha e desenvolve o país, ou do lado de uma casta rentista que lucra com a paralisia nacional.

Concluindo : o Maior Inimigo do Crescimento Nacional é a AGIOTAGEM institucionalizada dos juros altos.

Ignorar o diagnóstico de André Lara Rezende e dos economistas que o acompanham não é pragmatismo; é miopia ideológica. O Brasil não carece de discursos moralistas sobre o Estado, mas de lucidez macroeconômica.

Enquanto a nossa classe empresarial continuar aplaudindo a cartilha que nos mantém na periferia do desenvolvimento, continuaremos reféns de uma economia estagnada. Está mais do que na hora de abandonar os dogmas do atraso e encarar a verdade: o maior inimigo do crescimento nacional não é o investimento social, é a agiotagem institucionalizada dos juros altos.





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