Por que o Empresariado LAGEANO (Especialmente as " alegres vítimas" da taxação da exportação da madeira que os bozoloides imploraram para que Trump empurrasse goela abaixo do Brasil) Precisa Ouvir o Alerta de André Lara Rezende
https://youtu.be/o7hirW995lE?si=j3-I9TlQZiVE3dhA
Existe um mito sagrado na
liturgia do empresariado tradicional brasileiro — e catarinense e lageano — de que a
prosperidade econômica depende unicamente de um Estado encolhido, de cortes
cegos de gastos e de juros estratosféricos para "acalmar o mercado".
No entanto, quando um dos maiores pensadores liberais do país decide romper o
silêncio, é hora de parar o piloto automático ideológico e encarar os fatos.
No recente debate que mobiliza os
bastidores da economia nacional, André Lara Rezende — doutor pelo MIT,
ex-diretor do Banco Central, ex-presidente do BNDES e coautor do Plano Real —
publicou um artigo direto e corajoso intitulado "Eu acuso". A
tese central é desconfortável para a ortodoxia: o Banco Central, ao manter
juros absurdamente altos sob o pretexto de combater a inflação, tornou-se o
principal motor do desequilíbrio fiscal do país.
É exatamente essa discussão que a
vanguarda do atraso liberal, tão enraizada no pensamento corporativo e político
local, insiste em ignorar.
1. O Mito do Risco Fiscal vs.
A Realidade do Tributo aos Rentistas
A ladainha de que o Brasil está
quebrado devido ao gasto público ignora uma conta elementar que o próprio Banco
Central escancara: os juros pagos pela dívida pública consumiram cerca de R$
1,2 trilhão em apenas 12 meses. Esse valor monumental representa mais de
17 vezes o déficit primário.
Enquanto o empresariado aplaude o
arrocho sob o falso argumento de "responsabilidade fiscal", o Estado
sangra o orçamento público para remunerar detentores de títulos da dívida — os
rentistas. Como aponta Lara Rezende, em um país com a dívida atrelada a taxas
pós-fixadas (Selic), subir os juros para conter a inflação não reduz a
dívida; pelo contrário, a infla e a expande vorazmente.
2. O Suicídio Produtivo: Juro
Alto Não é Negócio, é Renda Sem Esforço
Para o empresário que acorda
cedo, gera empregos, inova na indústria, na agricultura familiar ou no
comércio, a taxa Selic em dois dígitos deveria ser motivo de revolta, e não de
alinhamento cego.
Qualquer análise básica de
investimento mostra a perversidade desse modelo: qual empresário vai
arriscar capital, assumir riscos trabalhistas, burocráticos e logísticos para
montar uma fábrica se os títulos públicos pagam mais de 10% ao ano sem que ele
precise sair da cadeira?
O capital produtivo é asfixiado
pela ciranda financeira. É por isso que o Brasil patina em sua capacidade de
reindustrialização, encolhendo sua complexidade econômica enquanto o dinheiro
migra da economia real para a especulação de papel. Continuamos presos no papel
de exportadores de commodities e dependentes de uma cartilha que o centro do
capitalismo jamais seguiu para se desenvolver.
3. O Terrorismo Eleitoral e
Econômico
Repete-se ciclicamente o roteiro
do pânico: a cada resultado político que foge ao script das elites financeiras,
decreta-se o apocalipse econômico. Vimos isso em 2022 e assistimos aos mesmos
alarmismos vazios em 2026. O foco do establishment não é a estabilidade real,
mas a imposição de uma agenda que desindexe direitos, comprima salários e
garanta lucros fáceis na bolsa e nos juros.
Quando o mercado aposta na
penúria social em troca de rentabilidade financeira, o empresariado local
precisa decidir de que lado da história está: do lado de quem produz, trabalha
e desenvolve o país, ou do lado de uma casta rentista que lucra com a paralisia
nacional.
Concluindo : o Maior Inimigo do
Crescimento Nacional é a AGIOTAGEM institucionalizada dos juros altos.
Ignorar o diagnóstico de André
Lara Rezende e dos economistas que o acompanham não é pragmatismo; é miopia
ideológica. O Brasil não carece de discursos moralistas sobre o Estado, mas de
lucidez macroeconômica.
Enquanto a nossa classe
empresarial continuar aplaudindo a cartilha que nos mantém na periferia do
desenvolvimento, continuaremos reféns de uma economia estagnada. Está mais do
que na hora de abandonar os dogmas do atraso e encarar a verdade: o maior
inimigo do crescimento nacional não é o investimento social, é a agiotagem
institucionalizada dos juros altos.







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