sexta-feira, setembro 25, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... Onde Há Fumaça, Há Fogo:... (Parte XV)

 O Projeto Fundamentalista e a Ameaça Real ao Estado Laico

A Tática do Recuo e a Cortina de Fumaça

Diante da onda de repúdio provocada pelas reações negativas à sua pauta religiosa e ao ataque aos símbolos da fé católica popular, Flávio Bolsonaro reagiu da forma predetermina pelo manual de propaganda de sua ala: atacando a imprensa, insultando a TV Globo e alegando que suas intenções estariam sendo "distorcidas". Trata-se do clássico movimento tático de recuo defensivo quando o desgaste político bate à porta.

No entanto, por trás da retórica indignada do senador, os fatos revelam uma engrenagem contínua. As justificativas do clã não sustentam a realidade dos atos registrados, das propostas de lei apresentadas e dos discursos proferidos em praça pública. Na política, onde há fumaça recorrente, existe um incêndio programado.


Os Fatos Falam Mais Alto: O Histórico que Desmascara a Narrativa

Para entender por que as denúncias sobre a tentativa de impor um Estado teocrático ou confessional no Brasil não são "fantasia de imprensa", basta conectar os pontos das ações recentes:

  1. A Promessa Explícita de Confessionalização do Estado: Em ato de campanha, Flávio Bolsonaro declarou abertamente que, se eleito à Presidência, um de seus primeiros atos oficiais seria decretar que o Brasil pertence ao "Senhor Jesus Cristo". Esse tipo de promessa atropela o preceito constitucional do Estado Laico (artigo 5º e artigo 19 da Carta de 1988), que garante a neutralidade confessional do poder público e a proteção de todas as crenças — inclusive a liberdade de quem não possui religião.
  2. A Parede de Intolerância Contra Símbolos Nacionais e Católicos: O tensionamento religioso da campanha bolsonarista não é abstrato. O autor do projeto de lei que buscava rebaixar o status de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil atuou diretamente como assessor de Jair Bolsonaro na Presidência da República. A ligação umbilical entre assessores diretos e projetos de desmonte da pluralidade religiosa demonstra que o ataque aos símbolos tradicionais não é um "acaso", mas fruto de um ecossistema ideológico radicado dentro do próprio grupo político.
  3. A Violência Prática no Santuário Nacional: A tentativa de instrumentalizar a fé e atacar minorias ou grupos religiosos divergentes tem antecedentes históricos violentos. É impossível esquecer o episódio em que militantes bolsonaristas invadiram o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, consumindo bebidas alcoólicas no templo, hostilizando religiosos e agredindo jornalistas. A violência verbal dos líderes se converte, na ponta, em violência física promovida por seus seguidores.
  4. A Instrumentalização Política da Fé: Analistas e veículos independentes apontam como o discurso puramente confessional e fundamentalista se impôs no centro da campanha eleitoral do clã. O uso do espaço público para impor dogmas de uma única vertente ideológico-religiosa visa dividir a sociedade entre "bem e mal", gerando pânico moral e enfraquecendo as instituições democráticas.

Concluindo: A Defesa Inegociável da Constituição de 1988

O Estado Laico não é contra a religião; pelo contrário, ele é a única garantia de que todas as religiões e crenças possam coexistir em paz e com liberdade. Quando um candidato promete usar o decreto presidencial — uma ferramenta de Estado — para impor uma visão confessional, ele não está apenas flertando com o fundamentalismo: está anunciando um projeto de erosão das liberdades individuais.

As tentativas de Flávio Bolsonaro de desmentir a imprensa ou vitimizar-se diante das críticas do eleitorado católico e progressista não apagam seu histórico nem o de seus assessores. A sociedade brasileira e a população catarinense precisam olhar para os fatos, e não para as desculpas de última hora. O projeto fundamentalista existe, está em curso e cobra de cada cidadão um posicionamento em defesa da Constituição e da pluralidade.

 Qualquer semelhança com a  imagem  abaixo pode não ser uma mera coincidência.





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