terça-feira, agosto 14, 2012

HÁ PELO MENOS CINCO MOTIVOS.... MAS PARA A MAIORIA DOS MUNICÍPIOS DA REGIÃO SERRANA A FICHA AINDA NÃO CAIU... E PELO JEITO VAI DEMORAR... PIOR PARA OS SERRANOS...

Segurança Alimentar... Políticas Públicas... Desenvolvimento Local... Articulação de Programas Governamentais... Territórios...

São palavras ou frases que os Prefeitos da região Serrana já ouviram milhares de vezes... mas poucos deles conseguiram entender a sua importância histórica e estratégica... ou ... conseguiram visualizar toda a sua dimensão inovadora... ou tiveram motivação para administrar seus Municípios com a ousadia e coragem que tais Ações, Programas ou Políticas Governamentais exigem.... já que nesse modelo o Prefeito não pode ter medo do debate.... muito menos das críticas... e menos ainda dos desafios impostos pela sociedade...

Desde de 2003 a SAN (Segurança Alimentar e Nutricional)... é tema de debate na região: ONGS, Universidades; Ministérios; Entidades Sociais Locais e Regionais; e Lideranças; tentam sensibilizar os governantes e a opinião pública para a importância o assunto... Porém a mídia bajuladora e a politicalha local fingem que este assunto não importa para a sociedade...

Assim... quase 10 anos depois.. a SAN ainda é um tabu para os Municípios Serranos...

Afirmo... sem medo de errar... que a região Serrana Catarinense é a que tem a menor quantidade de Municípios que aderiram... de verdade... as Políticas de SAN...

Não é sem razão... que reclamam que não recebem recursos do Governo Federal... Não recebem porque não sabem ou não querem receber...

Vejam abaixo um artigo esclarecedor sobre SAN e façam suas reflexões...
(....)


Cinco razões para o município adotar um Plano de SAN
* Evandro Pontel e Irio Luiz Conti

Uma questão recorrente e inevitável que surgiu em todas as Conferências de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) foi esta: quais são mesmo as vantagens e desvantagens de se implantar a Política e o Sistema Nacional acompanhados de Planos de SAN? Como este é um tema de extrema relevância, nos atrevemos a reunir em torno de cinco argumentos as razões que justificam a importância estratégica de os municípios adotarem Planos Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional.

Primeiro Motivo:
O primeiro motivo é que com a inclusão da alimentação no artigo 6º da Constituição Federal e na legislação específica (Lei nº 11.346/2006 e Decreto 7.272/2010), as três esferas do Estado brasileiro (municipal, estadual e federal) assumem, de forma corresponsável, as obrigações de respeitar, proteger, promover e prover o direito humano à alimentação adequada. Hoje os titulares de direitos podem exigir seu direito à alimentação através de meios políticos, administrativos e jurídicos, e o Estado tem a obrigação de realizá-los sob pena de ser levado aos tribunais.

Segundo Motivo:
Um segundo argumento é que com a adoção de um Plano de SAN o município cumpre com os preceitos da legislação nacional e internacional que garantem o direito humano à alimentação adequada. O município é livre para aderir ou não ao Sistema Nacional de SAN, mas é obrigado, por lei, a adotar mecanismos que expressem um conjunto de medidas que garantem a realização do direito humano à alimentação adequada de sua população.

Terceiro Motivo:
Uma terceira razão relaciona-se à articulação e potencialização das diversas ações e programas de SAN, que geralmente são um tanto dispersos ou isolados no interior dos órgãos de governo, em um Plano intersetorial com estratégias, objetivos e metas bem definidos. Com isso, gradualmente, quebram-se os paradigmas que ainda concebem as políticas e programas de forma linear e setorial, mediante a abertura e a reunião dos diferentes setores em torno da construção de políticas e planos intersetoriais e integrados, já que a SAN abrange as diferentes dimensões e setores das ações governamentais.

Quarto Motivo:
Um quarto argumento é que a adoção de um sistema e um Plano de SAN possibilita a institucionalização de programas de SAN como políticas públicas permanentes no âmbito do município. Na medida em que se tem legislação que respalda estas ações se tem mais força para garantir a destinação de recursos públicos através de dotação orçamentária específica no Plano Plurianual para esta finalidade. Além do mais, cada vez mais o acesso aos recursos públicos estaduais e federais na área de SAN estará condicionado à adesão do município ao sistema e à implementação de Planos de SAN. Ou seja, os municípios que adotarem Planos de SAN se credenciarão para acessar editais públicos e recursos adicionais para a implementação de iniciativas que garantem o direito humano à alimentação.

Quinto Motivo:
O quinto e último argumento é que a adoção de um Sistema e um Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional expressa uma opção política e uma visão estratégica do gestor público que aposta na SAN como um investimento público na qualidade de vida da população de seu município. Deste modo, investir em sistemas locais de SAN que envolvam desde a produção, passando pelo abastecimento, a transformação, a distribuição e o consumo é investir na prevenção da saúde e garantir que a população goze de boa qualidade de vida com soberania e segurança alimentar e nutricional.

* Evandro Pontel é graduado em Filosofia e Teologia, professor na RedeSan/UFRGS; Irio Luiz Conti é mestre em Sociologia, professor na RedeSan/UFRGS, conselheiro do Consea e presidente da Fian Internacional.


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