terça-feira, maio 14, 2013

COMO CONSTRUIR UM MITO USANDO A DESINFORMAÇÃO...

Desde outubro de 2008, portanto há 4 anos e meio... ou 54 meses... a UNIPLAC sofre uma intervenção determinada por um Juiz da Comarca de Lages que posteriormente (Junho de 2009) foi substituido pela Juiza que é responsavel por esse processo até o momento...

Esse período de 54 meses é o suficiente para comprovar que o processo de intervenção foi um fracasso... prepotente demais... desgastante demais.. autoritário em demasia, isso quando não se configurou como um "vantajoso" cabide de empregos para "namoradas" e pessoas sem muita qualificação...

Para mim... um processo desnecessário, ainda mais se considerarmos que antes da intervenção o Direito Empresarial no Novo Código Civil ja havia criado formas de negociações extrajuduciais capazes de solucionar quaisquer problemas de Empresas em situação de pré-falência (como se encontrava a UNIPLAC naquela época)... tudo poderia ter sido resolvido sem a intervenção... no meu modo de pensar, um ato eminentemente político... realizado para atender determinados interesses... já que a assenção do então reitor Gilberto Sá... na cabeça transtornada dos que se sentem donos de Lages... significava a assenção do PT.... e isso é ainda inadmissível.. e proibido... por aqui...

Mas voltando a construção do "idolo"...

Recentemente... e só agora tomei conhecimento... a mídia local fez um grande estardalhaço, e alçou ao nível de grande negociador... o atual e arrogante interventor... e tudo porque ele conseguiu aquilo que qualquer administrador minimamente competente... na situação em que o interventor se encontra... faria... No entanto... para a mídia lageana que se demonstrou sem a mínima noção de como se realiza uma "negociação" de dívida vencida... a redução de R$ 42 milhões no valor contabilizado é algo espantoso... digna de uma estátua...

Durante minha vida de bancário... não só realizei dezenas de negociações de dívidas vencidas... como trabalhei em um GT em Brasilia para negociar grandes dívidas já ajuizadas... por isso o que afirmo tem base não só em conhecimento técnico como também em conhecimento prático...

Equanto não vencidas as dívidas bancárias são corrigidas por taxas de juros contratuais que atendem as normas legais e a realidade do mercado... Dívidas de longo prazo e caracterizadas como de investimentos sempre tem taxas de juros menores que as outras usadas para operações de custeio ou para financimanetos de bens móveis... Mas a inadimplência (o não pagamento) da dívida, além de gerar multas abusivas, ainda permite ao Credor o uso de taxas de juros especiais, muito superiores as taxas contratadas para as operações em situação de normalidade... Taxas de inadimplencias, essas, que chegam a ser 5 ou 6 vezes maior do que a taxa normal... Atualmente se aplica a tal da Comissão de Permanencia...

Aritmenticamente falando, essa situação de inadimplencia faz com que o valor da dívida aumente em escala geométrica, ainda mais quando somadas às multas e considerando que os juros se capitalizam.. Assim facilmente uma dívida de R$ 1.000,00 pode chegar a R$ 10.000,00, ainda mais se considerarmos um atraso de longo tempo...

As normas do BACEN mandam contabilizar essas dívidas vencidas em "Créditos em Liquidação" por um tempo... e a contabilizar em "Prejuizos" depois de algum tempo e conforme o montante da dívida... Isso para que os Bancos possam administrar seus créditos de forma mais eficiente, e também para que não fiquem pagando Imposto de Renda em cima de receitas e lucros que não são reais (os juros calculados em cima das operações inadimplidas não são receitas reais... e passam a onerar os bancos)...

Assim.. depois de determinado tempo os bancos transferem essas dívidas para outras contas contábeis e passam a atualiza-las com base na Comissão de Permanencia ou na taxa de juros estipuladas no contrato para as situações de inadimplência, unicamente para efeito contabil...

Neste período e sob o efeito dessas taxas irracionais.... as dívidas aumentam de forma estupida... e ficam impagáveis... nesse período os juros calculados sobre as dívidas não são contabilizados como Rendas... mas como Rendas a Apropriar, não provocando nenhum resultado sobre as contas de receitas dos bancos...ou seja deixa de ser uma operação real para ser uma operação virtual.. ou ainda .. uma obra de FICÇÃO.. A consequencia é a cobrança judicial... ou o acordo extrajudicial.. e em ambos os casos... a maior parte... desse valor fictício é extornado (desconsiderado) e os acertos se dão em uma situação de quase normalidade.. ou seja os bancos (que não são bonzinhos.. mas não são estúpidos)... renegociam a dívida reduzindo-a a patamares aceitaveis para a capacidade de pagamento do Devedor...

Assim dívidas de R$ 10 milhões... podem sim se transformar em dívidas de R$ 1 milhão, ou até mesmo R$ 500 mil (conforme for o tempo de inadimplencia decorrido) sem que o banco venha a perder nenhum centavo... e nem que seja necessário um gênio ou um grande negociador trabalhar em defesa do endividado inadimplente...

São negociações corriqueiras.. que exigem mais bom senso dos credores do que genialidade dos devedores...

E assim é.. nada de anormal.. de excepcional.. ou que exija um esforço admirável para ser feito...

Fica uma reflexão para a mídia.. quantos mitos jé foram criados ou ainda serão em razão da manipulação ( consicente ou não) dos fatos??? Quantos Raimundos Colombos ainda serão criados em cima do imaginário popular frágil e manipulado???

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