terça-feira, outubro 16, 2012

AOS 56 ANOS.... CONFESSO QUE VIVI...

Há poucos dias comemorei e compartilhei com a família e amigos mais um ano de vida... 56 anos.... e numa dessas reflexões... até involuntárias... que a gente faz quando chega por essas idades... decidi fazer uma analise qualitativa da minha breve, porém intensa vida....

E como foi bom fazer este exercício... onde razão e emoção... sonhos e realidades... utopias e devaneios... fantasias e idiossincrasias se encaram... brigam... duelam... olho no olho... as veras... sem a menor chance de enganar um ao outro ou de se iludirem mutuamente...

Em um ambiente carregado de mística e espiritualidade... numa solidão libertadora...deixar a alma e a mente navegar juntos pelos mares do passado... do presente... do imediato... e ter coragem... porem com bom senso... de por a nu as experiências... as vivências... as conquistas... as derrotas... as vitórias... as perdas... os ganhos... os altos... os baixos... o que foi belo... o que foi feio... o que foi grato e o que foi decepcionante...

E... depois desta viagem... entre risos e choros... me descobri feliz...

Como não ser feliz...

Se vivi tantos momentos de superação... se enfrentei e venci tantos desafios... se ainda consigo sonhar... acreditar em utopias... desfraldar bandeiras... não temer o ridículo... se ainda a menor injustiça contra os mais vulneráveis me faz tremer de indignação... se ainda não desaprendi a sorrir... se consigo superar o amargor... se ainda consigo me enternecer com a inocência e os sorrisos da crianças... me encantar com a ousadia e a criatividade dos jovens... me empolgar com a beleza e a sensualiade das mulheres... me motivar com a garra dos adultos... e me comover com a sabedoria dos mais velhos...

Eu que morei em cada canto deste paraíso que é Santa Catarina... Desbravei o portal da Amazônia... Apoiei negócios com cacau no sul da Bahia... Vi as obras de Aleijadinho em Minas... me superei a cada dia nos 4 anos que me dediquei em Brasília admirando a arte em concreto de Niemeyer e Lúcio Costa... ... Pesquei nos rios matogrossenses... Vi a geleira dos Andes confortavelmente em Santiago... Bebi cerveja na Praça da Sorbone e na Torre Eifel em Paris...

Eu que conheci tantos bravos cuja única arma para enfrentar as implacáveis adversidades ...naturais e (des)humanas... eram a enxada e um hectare de terra magra... eu que ajudei a florescer tantos milhares de alqueires de terra boa...

Eu que compartilhei do momento histórico de um Tche Guevara... um Dirceu Carneiro com a sua Força do Povo... de um Chico Mendes... de um Dom Elder Camara... de um Teotonio Villela... de um Ulisses Guimarães... de um Brizola.. de Um Amazonino Mendes... de um LULA e agora desta poderosa mulher DILMA...

Eu que presenteei minha irriquieta e curiosa mente com a sabedoria de um Raimundo Faoro... de um Paulo Freire... de Um Darcy Ribeiro... de Leonardo Boff... de um Jorge Amado... de um Sebastião Salgado e suas fotografias maravilhosas... de um Moacir Gadotti... de um Gilberto Freire... de um Rubem Alves... de uma Hannah Arendt.. de um Nietzsche... e de incontáveis outros grandes homens... e colossais mulheres...

Eu que enriqueci minha alma com as poesias do Vincius, do Fernando Pessoa, do Pablo Neruda... da Cora Coralina... da Cecilia Meireles... da Clarice Lispector...

Com as canções de Chico Buarque.... DA MERCEDES SOSSA... do Milton Nascimento... do Tom Jobim... do Toquinho... da Bethania... da Simone... do Raul Seixas... do Ze Ramalho.. do Fagner... do Dominguinhos... do Tunico e Tinoco... da Elis Regina... do Martinho da Vila... dos Demonios da Garoa... do Roberto Carlos... e tantos... tantos... e tantos outros talentos nossos... brasileiros...

Eu que conheci a arte cênica de um Glauber Rocha... de um Ziembinski, de um Paulo Gracindo... de um Paulo José... da Dina Sfat... de um Selton Melo... Fernanda Monte Negro.. Jardel Filho... Jean Francisco Guarnieri... Paulo Beti... e incontáveis outros talentos insuperáveis genuinamente brasileiros... nossos...

E que deixei conduzir minha alma pelos sons divinos de tantos instrumentistas fantásticos dando vida a ... violas... cavaquinhos.... violões... pandeiros... gaitas... acordões... pianos... saxefones... entoando sambas maravilhosos... milongas fantásticas... bossas novas irresistíveis... baião... xaxado... forró... chorinhos maravilhoso... música sertaneja... música de raiz... musica nativa... e de tantos ritmos nossos para os quais até o deuses aplaudem e pedem bis...

Eu que vi a genialidade incomparável de um Garrincha... a garra de Oscar... a determinação de um Bernandinho... o talento elegante de um Falção... a Realeza insuperável de um Pelé... o drible moleque e genial de um Romário... a superação de um Reinaldo... e tantas outras alegrias...

Eu que vi... e me angustiei... e sofri... com a sede e a fome no nordeste brasileiro, nas savanas da África, e em tantos lugares... em tantas ruas e vielas... tantos guetos...

Eu que chorei a morte de Tancredo.. o Adeus a Airton Sena... e que inocentemente festejei o tri campeonato mundial nas ruas enquanto centenas de brasileiros eram torturados e humilhados nos vergonhoso DOI CODI da vida... eu que já vi sentido naquela frase excludente e autoritária: Brasil ame-o ou deixe-o... eu que já morei em uma quase favela e quase acreditei no discurso das elites que pobre não presta... de que pobre é tudo vagabundo... eu que já achei que o “sul maravilha” precisava se tornar independente dos “nordestinos preguiçosos”... eu que me libertei destas e de tantas tolices e demencias...

Eu que vi as bombas de napalm queimando crianças vietcongs... e o ódio em forma de escombros em duas torres gêmeas... eu que já fui um menino sorrindo... um garoto que amou os Beatles e os Rolings Stones... que já tive cabelo caindo na testa... e muita rebeldia... que escutei Jimy Hendrix... e a voz rouca de James Joplin... e já fui um caçador de mim... hoje sou apenas um aprendiz da vida...

Eu que senti a vida em meus braços... na fragilidade e no calor dos meus 4 filhos... eu que me encho de saudades dos meus netos e netas... eu que já amei tanto... e conheci tantas pessoas amigas... e uma companheira tão dedicada e amorosa...

Eu que já despertei tantas raivas... mas também tantas esperanças e sorrisos... e já fui tantas vezes agredido... mas também tantas vezes abraçado... e aprendi a agradecer aos adversários e a me apaixonar pelos amigos... que me dão vigor e energia... e vontade de ir além...

Eu que estou vivendo Lages de agora... eu que escrevo essas mal traçadas linhas neste BLOG.. neste instante...

EU.. aos 56 anos... CONFESSO QUE VIVI...

4 comentários:

  1. Anônimo
    16:33 (6 horas atrás)

    para mim
    Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "AOS 56 ANOS.... CONFESSO QUE VIVI...":

    Boa tarde Sr. Rui,
    Gostaria de saudá-lo e dizer que sou leitor assíduo do seu blog e parabenizo-o pelo conteúdo de seu texto, sensacional, compartilho de várias colocações que fizestes. Chapecó também precisa de um "RUI", a diferença é o endereço mas aqui como por esse Brasil afora predomina o escárnio da direita e sempre amparado pelo PID-Partido da Imprensa Domesticada. Saudações e desejo-lhe "outro tanto" como dizem.
    Antonio C M Ramos
    Chapecó-SC.

    Postado por Anônimo no blog Lages, na Real em 16 de outubro de 2012 16:33

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    Respostas
    1. Caro Antonio..

      Agradeço tuas gentis e motivadoras palavras...

      Abraços

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  2. Anônimo

    06:39 (41 minutos atrás)

    para mim
    Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "AOS 56 ANOS.... CONFESSO QUE VIVI...":

    Tb acho vc uma pessoa fora dos padrões bajuladores que nossa sociedade vive pessoalmente tb sou um puxa-saco mais é assim mesmo o triste fim de policarpo quaresma e a vida segue ...
    Parabéns ao guerreiro !!!

    Postado por Anônimo no blog Lages, na Real em 17 de outubro de 2012 06:39

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  3. Caro Anonimo...

    Nunca é tarde.... sempre ha tempo... tente outra vez... tente muitas vezes... o tempero da vida esta nas nossas lutas silenciosas e diárias...

    Grande abraço

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